25.9.19

(ir)realidade paralela (capítulo um)

Olá! O meu nome é Carlos, mas podes tratar-me por Karl. Com K, pois não quero que confundas com C, que isso é mais vulgar. E eu não sou nada vulgar. Aliás, certamente que me conheces e sabes que sou provavelmente a pessoa mais popular que conheces. E se estás aqui, no meu escritório, deves ter reparado no carro que está estacionado à porta. Sim, é isso mesmo que estás a pensar. É um Bugatti Veyron que custou 3,2 milhões de euros.

E podes confessar que encostaste a cara ao vidro para veres como é por dentro. Gostaste de ver Karl gravado nos bancos? É um pormenor de classe do caraças, certo? Mas chega de falar do carro. Vamos mas é falar de mim. Até porque sou um dos jovens empresários mais ricos de Portugal. Até já estou farto dos telefonemas e emails de jornalistas que querem fazer reportagens sobre jovens de sucesso que podem inspirar outros. Quer dizer, só não me farto quando são jornalistas bonitas e bem feitas. Com umas curvas que me encantam e com umas mamas bem grandes. Para essas tenho sempre tempo. E depois é só começar a falar do que tenho para ver os olhos delas a brilhar.

Sou um dos Directores Executivos mais jovens do mundo. É verdade que a empresa era da família, mas foi o meu toque pessoal que catapultou a empresa para outro nível. O meu pai e o meu avô não gostam que diga isto, mas é a verdade. É que sou mesmo bom. Já na escola era o melhor aluno da turma e claramente o mais popular. Sem esquecer que todas as miúdas queriam namorar comigo. E se queres medir a quantidade do meu sucesso, podes ver as minhas redes sociais. Até te dizia para me fazeres um pedido de amizade no Facebook, mas as minhas quatro, volto a dizer, quatro contas já atingiram o limite de pedidos de amizade. 20 mil amigos! Não hei-de ser popular.

A partir de agora só tenho seguidores. Como no Instagram, que são já mais de 700 mil. E se fosse juntar estes números todos, fazia corar muitos influencers que não são ninguém nas redes sociais. E já te falei das festas exclusivas que dou na minha mansão? Nunca se viu nada assim. Todos querem lá estar. Ninguém paga para entrar e é tudo à grande. Mesmo tudo. É só gente bonita e todos imploram para lá estar. Mas sou eu que escolho quem é convidado. E tanto posso ter lá 500 pessoas como 5000. Depende da minha disposição. Mas tem a sua piada ver as figuras que as pessoas fazem para estar perto de mim. É o preço da popularidade.

Sou tão popular que basta publicar uma merda qualquer nas redes sociais que os gostos multiplicam-se a uma velocidade que não consegues acompanhar. No outro dia escrevi que estava com frio e todas as pessoas comentavam. Eu alguma vez ia comentar uma merda dessas. Até aposto contigo que se ficar um ou dois dias sem publicar nada no Facebook e Instagram as pessoas ficam loucas. É tudo a enviar mensagens a perguntar se se passa algo comigo. Queres apostar?

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