28.10.19

monica aksamit é a prova de que nem todos os atletas de sucesso têm dinheiro para competir

Antigamente olhava-se para um atleta de alta competição (e refiro-me aos de sucesso) com admiração. E pouco mais do que isso. Juntava-se ainda a vontade de um dia conseguir um feito semelhante por ser algo de que realmente se gostava. Agora, muitos olham para os desportistas como pessoas que ganham muito dinheiro. Por exemplo, vemos alguém ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos e pensamos que está tudo bem para sempre. E não perdemos tempo a tentar perceber o que é necessário para subir ao pódio e deixar uma nação orgulhosa.

É aqui que entra Monica Akmasit. Que é uma esgrimista medalhada. Posso dizer que foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e que neste ano foi medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Agora vem a parte da surpresa. E se te disser que esta atleta norte-americana, com raízes polacas, não tinha dinheiro para representar o seu país nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que se realizam em 2020.

A solução que Monica encontrou foi recorrer ao GoFundMe para tentar angariar dinheiro para conseguir estar presente no evento. Tinha como objectivo amealhar 19 mil euros, mas já conseguiu juntar 27 mil. Numa conversa com o New York Post, a esgrimista revelou que ser atleta profissional é muito complicado. E que não é fácil encontrar um emprego estável que tenha abertura para treinos e competições. “Agora não tenho de me preocupar muito com viagens e treinos. Isso alivia muito o stress”. Lamentando ainda que a esgrima não atraia muitos patrocinadores e que o processo de qualificação para os Jogos Olímpicos implique um elevado investimento financeiro.

“O processo é muito caro por causa de todas as viagens, bem como as taxas de inscrição”, partilha Monica Aksamit com a Maxim. Detalhando os valores que não passam pela cabeça das pessoas. “Em inscrições e taxas, tenho de gastar 1500 euros. Em viagens tenho de gastar 3000 euros, valor que não inclui transporte para o aeroporto, para o hotel e comida. As deslocações internacionais têm um custo estimado de 9900 euros, sem incluir comida. Viajo cinco a seis vezes por semana até Manhattan. Além disso, tenho de estar inscrita num ginásio perto de casa e noutro para quanto estou fora, em treinos”, conta.

Este relato acabou por se tornar viral e Monica Aksamit foi contactada por uma empresa direccionada para influencers e marketing. Que se disponibilizaram para ajudar a esgrimista a rentabilizar as redes sociais, de modo a ganhar algum dinheiro com essa situação. A atleta quer aproveitar o mediatismo para fazer com que as pessoas percebam que a vida de um atleta olímpico pode ser pautada por muitas complicações. “Penso que muitas pessoas não se apercebem de que nem todos os atletas olímpicos são apoiados financeiramente e acreditam que depois de conquistar uma medalha estão lançados para sempre. Estou feliz por ajudar a mudar isso e informar as pessoas acerca da lutas e sacrifícios que temos de superar”, conclui.






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