22.3.17

copos e mulheres

Segundo o ministro holandês Jeroen Dijsselbloem, os países do Sul da Europa gastam o dinheiro em “copos e mulheres” para depois pedir auxílio monetário aos países do Norte da Europa, aquele que de acordo com este senhor, acabam por pagar a crise dos outros. Como quem não sente não é filho de boa gente, os portugueses ficaram escandalizados com estas palavras.

Em relação às palavras, pouco pode ser dito. Porque são erradas. A mensagem que pretende passar morre na escolha das palavras. Trocando isto por bom português, Dijsselbloem entende que por aqui gasta-se o dinheiro em álcool e putas. Ou, numa expressão tipicamente portuguesa, putas e vinho verde. Com esta escolha de palavras, o assunto morre aqui. E dá lugar a uma polémica com diversos focos de incêndio. E por isso não posso concordar com aquilo que defende. Com a acusação que faz.

Agora, tudo seria diferente se tivesse dito que “ao longo dos anos os países do Sul andaram a gastar dinheiro de forma indevida”. Porque aqui já existe um fundo de verdade. Para o qual é necessária uma memória com algum alcance. É preciso recuar até ao tempo em que os fundos comunitários pareciam não ter fim. Era dinheiro e mais dinheiro. Com parte dele a ser mal gasto em coisas que não eram necessárias. E na altura, como a torneira não fechava, fazia-se tudo e mais alguma coisa. Como auto-estradas com três faixas de rodagem para cada lado onde passam meia dúzia de carros por dia. E naquela altura ninguém se dava ao trabalho de pensar que o que parecia barato acabaria por sair muito caro no futuro.

Mas não é necessário que um ministro holandês recorde os portugueses (e cidadãos de outros países) de que parte da crise é motivada por uma má gestão política. Acho que qualquer pessoa tem noção desta realidade. De resto, vir falar de putas e vinho verde é apenas um exemplo de alguém que se acha superior aos pobres coitados do Sul. E quando a postura é esta a mensagem acaba por se perder. E a pessoa não é levada a sério por ninguém.

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