23.8.16

vítimas das circunstâncias

Depois de ouvir um excerto da entrevista dos gémeos iraquianos - acusados de atropelar e agredir de forma bárbara um jovem português, de 15 anos - retive esta frase. “Não diria que sou vítima do Rúben ou o Rúben de mim, mas diria que somos todos vítimas das circunstâncias”, disse Haider, de 17 anos. Este jovem justifica a violência daquela noite pelo cocktail que envolve jovens, saídas à noite e álcool.

E retive estas palavras porque são acertadas. Isto na medida em que isto é suficiente para que pequenos incidentes ganhem uma proporção gigantesca. E qualquer pessoa, que frequente locais onde o consumo de álcool é feito em larga escala, poderá testemunhar esta triste realidade. Às vezes um pequeno encontrão consegue ser mais grave do que a pior das ofensas e dar início à violência. Mas isto não pode justificar que actos violentos passem impunes apenas porque são jovens e estão bêbados.

Outra realidade bastante comum, especialmente em locais específicos, diz respeito a jovens (e também adultos) que não lidam bem com a presença de “forasteiros” na sua zona. Lidam mal com isto e à mínima coisa verifica-se uma escalada de violência. Já presenciei confrontos físicos bastante intensos que tiveram como protagonistas jovens locais e estrangeiros que estão de férias.

Não me surpreende que os jovens, e o pai do mesmo, contem a sua versão dos factos. Até me surpreende um pouco que assumam a violência dos actos, mesmo que se defendam com a legítima defesa e o tal cocktail explosivo. De resto, é normal que sejam, aos seus olhos, as “vítimas” deste processo. Numa coisa concordo com os irmãos, casos destes (talvez não tão graves) existem muitos, mas muitos deles não chegam a ser falados.

De resto, há muito para explicar neste caso. A começar, qual o motivo pelo qual dois jovens conduzem, alcoolizados e sem habilitação legal, um carro do corpo diplomático. O pai dos gémeos refere que os filhos foram insultados e agredidos por um grupo de seis jovens. Além de Rúben, que está internado no hospital, onde estão os outros? Quem são? Porque não esclarecem o que aconteceu naquela noite? É também referido que os gémeos foram severamente agredidos, tendo um deles ficado com o nariz partido. Onde estão as marcas das tais agressões severas?

Não estava lá. Não sei o que se terá passado. Acho apenas que há muito por contar. Muita coisa por saber. Existia uma primeira versão que fazia dos gémeos os vilões desta história. Agora falaram os “vilões” que afinal são uma espécie de vítimas. Só resta saber de que lado está a verdade. E seria positivo, se é que há algo de positivo nisto, que a mediatização deste caso fizesse com que a sua resolução fosse rápida e que os culpados pagassem pelos erros, de modo a que servisse de exemplo para tantas situações que ocorrem noite após noite em locais onde o álcool é consumido como se fosse água.

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