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25.4.20

porque não nos podemos esquecer

A pandemia de coronavírus limitou as celebrações que temos vindo a fazer ao longo dos últimos meses. Ainda bem que assim é. E isto ninguém pode negar. Por outro lado, existem datas que merecem nota de destaque, independentemente dos tempos que vivemos e da ausência de festejos. O 25 de Abril é um desses dias.

Que ninguém desvalorize aquilo por que muitos passaram e que tornou possível que esta data seja celebrada hoje. É graças a ela que fazemos coisas às quais não damos praticamente valor nenhum como manifestar uma opinião livremente. Muitos deram a vida pela liberdade que hoje outros tantos desvalorizam por ser algo que têm de mão beijadas. Numa altura em que estamos a mudar a forma como encaramos a vida, espero que dediquemos algum tempo a dar importância a datas como esta.

Obrigado a todos aqueles que tornaram o 25 de Abril possível. Muito obrigado!

16.3.20

portugal, coronavírus... e agora?

Por estes dias os portugueses vão ficando, na sua generalidade, cada vez mais assustados com o crescente caso de doentes infectados com o novo coronavírus. Acredito que o maior medo está relacionado com os exemplos que nos chegam de Espanha e, sobretudo, de Itália. Se estes dois países não tivessem tido problemas de maior, talvez não existisse tanto receio. Mas ainda bem que existe. Porque acho que algumas pessoas ainda não perceberam aquilo com que estamos a lidar.

Por um lado, é certo que este vírus não é o bicho papão que nos irá matar a todos. O que não signifique que deva ser desvalorizado. Olhando para os números, vemos que a grande maioria da pessoas sobrevive à doença. Só que existem grupos de risco, que estariam igualmente vulneráveis a outros vírus, que podem ter complicações respiratórias graves. E é a este ponto que muitas pessoas ainda não chegaram. Espero que não, mas poderemos chegar ao ponto em que muitas pessoas (as tais mais debilitadas) vão necessitar de suporte respiratório. E quando os hospitais não tiverem capacidade para ajudar todos, será necessário escolher quem vive e quem morre. Por isso é que toda a prevenção não será exagerada. E esta leva a que todos queiram ficar em casa. Algo que nos leva a outra discussão.

Tenho a sorte de a empresa na qual trabalho ter enviado os trabalhadores para casa, por tempo indeterminado. Até porque aquilo que faço na redacção consigo fazer em casa, em total segurança. Tenho também a sorte de ter a minha mulher, grávida, em casa. Podia dizer algo como "os outros que se desenrasquem", mas sei que todos queriam estar numa situação como a minha. E acho que deveria ser permitido a todos. Porque seria a melhor forma de travar a escalada de uma doença que se multiplica a uma velocidade bastante rápida. Mais uma vez, espero estar enganado, mas também acredito que iremos chegar ao ponto de ser dada a ordem para que todos estejamos em casa. Saindo apenas para aquilo que é essencial.

Aquilo em que mais tenho pensado é na saúde. Na dos meus, na minha e na de todos os portugueses. E isto leva-me a pensar que o melhor seria fechar "tudo" durante um mês. Acredito que isto seria o passo correcto a dar. Por outro lado, sei também que terá um peso enorme na economia portuguesa. Ainda assim, acredito ser melhor fechar tudo por um mês do que passar, quatro, cinco ou seis meses a viver a conta gotas. Com negócios abertos sem que ninguém os visite. E entendo que a opção radical, de fechar tudo, acabará por ter um menor impacto. Mas isto não é mais do que o meu palpite.

Quando defendo que tudo deva fechar, não estou a empurrar o problema para os empresários. Os dois cenários que mencionei vão ter um impacto pesado para muitas pequenas e médias empresas. Talvez até para algumas grandes. Mas quando defendo o primeiro, defendo igualmente o apoio que terá de ser dado aos empresários e trabalhadores. Medidas que permitam minimizar os danos, evitando - ao máximo - o fecho de empresas e despedimentos. E este apoio tem de chegar de todos os lados. Das instâncias mundiais, europeias, estado, bancos e por aí fora. Não podemos apenas ser mais fortes juntos quando batemos palmas em cadeia. É preciso um apoio conjunto para que todos superemos este problema. Idealmente, com poucas mortes para lamentar.

27.11.19

mal de quem não sente orgulho nisto

Foi a transferência mais cara de sempre (do futebol português) quando trocou o Benfica pelo Atlético de Madrid. Agora, ganha o prémio Golden Boy, que distingue o melhor jogador do mundo com menos de 21 anos. É português. E é um orgulho do caraças vê-lo ganhar esta distinção. Mal de quem aproveita momentos destes para puxar da bandeira do clubismo e atacar o jogador. Destacou-se no Benfica. Mas poderia ter sido no Porto ou no Sporting. Ou noutro clube qualquer. É sempre de louvar quando estes prémios são nossos.

E é bom não esquecer que Portugal, este País tão pequeno na dimensão geográfica, tem estado a conquistar diversos prémios desportivos de destaque em todo o mundo. E isso só nos deve encher de orgulho. Para que não estejamos sempre nas notícias internacionais por motivos menos simpáticos que, esses sim, nos deixam envergonhados. Parabéns, João Félix. Parabéns, Portugal.

7.10.19

e depois das eleições...

24 horas depois do fecho das votações, assumo que não estou surpreendido com os resultados. Nunca duvidei de que o Partido Socialista seria o grande vencedor da noite e sem maioria absoluta. E baseava esta opinião no facto de não encontrar nenhuma alternativa à altura do que as pessoas desejam. O PSD não o é e duvido que o venha a ser num futuro próximo. Isto apesar do discurso que dá a entender que ganharam as eleições. De resto, acreditava nestes resultados do Bloco de Esquerda e nunca duvidei que Assunção Cristas (e o CDS) seria maior derrotada da noite.

Entre os poucos detalhes que ainda me surpreenderam, está o crescimento do PAN. De resto, nem os pequenos partidos que passam a ter assento parlamentar (Chega, Iniciativa Liberal e Livre) me surpreendem. Porque as pessoas que estão desiludidas com muitos partidos em que acreditavam, começam a rever-se nos ideais de outros. Muitas pessoas olham para o Chega (e para André Ventura) com medo e outros adjectivos que prefiro não escrever aqui. Mas olho para esta pequena vitória como um reflexo dos tempos modernos. Algo que acontece em diversos países. As pessoas têm medo de certas situações e apoiam aqueles que prometem acabar com elas.

Por fim, o maior lamento de todos. Falo da abstenção. Custa-me ver tantas pessoas a desperdiçar algo que tantos outros pagaram com as próprias vidas. A melhor arma de um cidadão será sempre o voto. Ou para manter algo, ou para mudar. Não votar e passar quatro anos a refilar nos cafés e nas redes sociais é algo que nunca trará mudança ao mundo. Quem não vota está a abdicar do poder que outros passam a ter em relação às suas vidas. E quem opta por não votar não pode, por exemplo, ofender aqueles que vão às urnas para votar em partidos que odeiam. Espero mesmo que no futuro existam mais pessoas preocupadas com os destinos de Portugal.

Agora, segue-se mais uma "geringonça" política e acredito que com isto ganham os portugueses. Pelo menos é a opinião de uma pessoa que nunca foi grande adepta das maiorias absolutas.

31.1.19

a nossa escrita é um caso perdido (e tenho de culpar os pais)

Enquanto jornalista passo os dias a lidar com palavras, textos e mais textos. Como tenho de fazer diversas pesquisas acabo por ler os mais diversos sites, dos mais diversos países e também publicações em papel. E, com muita pena minha, o destaque vai para os erros que encontro. Acrescentado também que já dei os meus erros. Mas existem erros e erros.

Pode passar despercebido a quem não trabalha na área, mas é fácil perceber quando um erro é uma simples gralha que resulta da tentativa de publicar (e refiro-me ao online) o texto rapidamente. É algo que acontece, ainda que não seja desculpável. Também existem muitas falhas de pontuação, algo que acaba por não ser o maior dos problemas. Até porque começo a achar que a nossa escrita é um caso perdido.

Não gosto daquela coisa do “no meu tempo”, mas aqui tenho de usar esta muleta. Porque a verdade é que no meu tempo, ou seja, na minha fornada de jornalistas, existia mais qualidade a nível de escrita do que existe agora com os mais jovens. É um facto! Vejo muitos textos de muitas pessoas mais novas e alguns são mesmo assustadores. Erros atrás de erros, falta de vocabulário e grande limitação na construção de um simples texto de meia dúzia de parágrafos. E isto é muito, mas mesmo muito grave. Principalmente para quem quer trabalhar nesta área.

Na procura de um culpado para esta situação, o mais fácil será dizer que a responsabilidade é dos professores. Porque eles, pensam muitos pais, é que têm a obrigação de preparar os jovens para tudo e mais alguma coisa. Este modo de pensar está errado. Que me desculpem os pais, mas a maior parte da responsabilidade está nos pais. Que não estimulam os filhos a trabalhar tudo aquilo que acaba por ser importante para a escrita.

Hoje é “lol”, “kkk”, abreviaturas para tudo e mais alguma coisa e não passa disto. Não se lê (e já nem vou aos livros, fico-me por jornais e sites), não se faz nada que leve a uma estimulação que tenha reflexo na escrita. Os adolescentes lidam com vocabulários bastante limitados e não passam disto. Isto poderá não ser grave para alguns (volto a discordar deste modo de pensar) mas é extremamente negativo para quem quer trabalhar no jornalismo.

A isto junta-se outro problema desta geração. Refiro-me à falta de capacidade (e análise) para perceber que são maus, que têm limitações e que precisam de evoluir. Hoje, um jovem tem desculpa para tudo e mais alguma coisa. Existe sempre uma justificação para um erro, nem que seja porque uma borboleta bateu as asas num país distante. E, de justificação em justificação, os erros vão-se mantendo. Sempre os mesmos. Sempre básicos. Sempre graves.

Muito sinceramente, e mais uma vez com grande pena minha, não prevejo que isto melhore. Imagino este cenário cada vez mais negro. E enquanto passarmos a vida a culpar os professores, nada irá evoluir. Enquanto sonho com uma mudança, continuo a deparar-me com jovens que gozam com os erros alheios sem que percebam que fazem muito, mas mesmo muito pior do que aquilo com que gozam.

14.1.19

ideias para o lip sync portugal

Muitas pessoas estão a criticar as actuações de ontem do primeiro programa Lip Sync Battle. Dizem que não passam de meras cópias das coreografias que já foram vistas nos Estados Unidos da América. Confesso que só conheço o original, por isso não posso comparar aquilo que aconteceu em Portugal com aquilo que é feito noutros países que importaram o formato. Tal como não sei se a licença inclui coreografias obrigatórias para determinados tempos.

Confesso que gostei do programa, especialmente do momento protagonizado por Raul Meireles, e esquecendo as críticas, partilho aqui alguns momentos que gostaria de ver na televisão portuguesa. Sendo que também gostaria de ver artistas portugueses, de outros tempos, coreografados. Por fim, e sei que este pedido é quase impossível, gostava que o orçamento nacional desse para fazer coisas tão espectaculares como se vê nos EUA. Posto isto, vamos aos vídeos.





























14.11.17

somos um povo que adora uma boa polémica

Somos um povo que adora uma boa polémica. E que gosta de discutir o que nem sempre tem discussão. Como é o caso da polémica com o Panteão Nacional. A partir do momento em que é legal, pouco há para discutir sobre o jantar da Web Summit. Porque não existe ilegalidade nenhuma. Não percebo como se pode pedir a demissão de uma pessoa que simplesmente cumpriu a lei.

Aquilo que se pode discutir é a autorização da utilização do espaço. Qual foi o motivo. Por que razão se paga apenas 3000 euros para utilizar um espaço tão nobre como o Panteão? Para onde vai o dinheiro? É utilizado para melhoramentos do espaço? Estes podem ser temas interessantes de discutir. E não apenas falar mal das pessoas da Web Summit nem pedir a demissão de alguém que cumpre a lei.

Já agora, vamos recuar até 2003. Foi muito giro ver o Panteão Nacional transformado na Escola de Hogwarts para o lançamento de um livro da saga Harry Potter. Neste caso, com muita exposição mediática, já ninguém se importou com o respeito pelos mortos e pelas figuras históricas. O que levanta outra questão: estamos mesmo preocupados com o Panteão ou andamos a brincar à política e temos ódio às pessoas da Web Summit?

17.10.17

abençoada chuva

Em condições "normais" as pessoas estariam a criticar a chuva e a desejar o bom tempo até ao próximo Verão. Neste caso, felizmente choveu. E a água foi suficiente para ajudar os bombeiros a colocar um ponto final em todos os fogos que ainda estavam a consumir Portugal. Estou muito feliz com esta chuva. Porque foi essencial para os bombeiros.

Agora, desejo que esta água também lave muitas bocas. E que lave as ideias erradas que tantas pessoas vendem como certezas absolutas, sem qualquer conhecimento de causa. Que este drama sirva, de uma vez por todas, para corrigir o que está mal em matéria de incêndios. Um problema que não tem dois dias, nem dois meses ou dois anos. Um problema que tem décadas! Aquilo em que não acredito é que tudo isto venha a servir para que muitas pessoas pensem duas vezes antes de abrir a boca.

16.10.17

aquilo que mais me irrita nos incêndios (e não só)

Aquilo que mais me irrita neste drama dos incêndios é a atitude de muitas pessoas nas redes sociais. Que há muito se transformaram numa espécie de tribunal onde todos são juízes com conhecimento em todas as matérias. Em todas! Irrita-me a sede de encontrar um culpado. Uma pessoa a quem apontar o dedo como culpado de todos estes incêndios. E para isso dizem-se as maiores barbaridades. Algumas por falta de conhecimento das leis. Outras por raiva e/ou impotência. E algumas, e peço desculpa pela sinceridade, por burrice.

Neste caso não há um culpado. Existem muitos. Mas mesmo muitos. Que vão de políticos aos donos do terrenos que ignoram aquilo que é um dever. Apesar dos constantes alertas. Ou para aquelas pessoas que sabem que está tudo a arder e mesmo assim ainda adoptam comportamentos de risco que podem levar a mais incêndios. E deixo apenas dois dados que talvez muitas pessoas desconheçam. Se não estou em erro, mais de 90% do mato em Portugal é privado. E são os donos que têm a obrigação de fazer a manutenção dos terrenos. E os portugueses são os europeus que fazem mais ignições. Se estes dois dados explicam tudo? Não! Longe disso. Tal como não explica tudo dizer que a culpa é do Governo.

Há muito para discutir. Desde o negócio dos incêndios até ao descuido dos proprietários dos terrenos, passando pelos políticos. E algures neste percurso estamos todos nós. Sem excepção. E enquanto andarmos a apontar o dedo uns aos outros, nada irá mudar. Servirá apenas para criar ainda mais confusão. Que nada resolve. As pessoas devem todas colocar a mão na consciência e perceber aquilo que está a ser mal feito. Mas tudo. E não apenas uma parte. Uma das coisas mais injustas que se podem fazer em momentos de dor como este é querer encontrar apenas um culpado. Alguém que sirva de bode expiatório para os erros de tantas pessoas.

E este problema dos portugueses não é exclusivo dos incêndios. É comum a todas as grandes notícias que nos chegam. Desde o Cristiano Ronaldo que atira um microfone para a água até às decisões de Donald Trump. Os portugueses sabem tudo de tudo. Só não sabem dos problemas que têm em casa. Nem daquilo que podem (e devem) mudar perto de si. É aquela máxima de que todos querem mudar o mundo, mas ninguém está disposto a mudar.

um aperto no coração

Tanto incêndio. Em Outubro. Com temperaturas a rondar (ou ultrapassar) os trinta graus. Não consigo sequer imaginar o desespero de todas aquelas pessoas que estão dispostas a dar a vida para proteger aquilo que construíram ao longo da vida. Não consigo imaginar o desespero que leva uma mulher grávida a perder a vida na tentativa de fugir do incêndio. É tudo muito triste. Não há palavras para esta situação...

26.7.17

incêndios sem fim

É desesperante assistir à dor das famílias que lidam de perto com o drama dos incêndios. A sensação de impotência é muito grande. É das piores coisas que se podem ver na televisão. Uma aflição sem fim. E tanta coisa para fazer...

24.7.17

como é que isto é possível?

Nesta altura do ano é comum encontrar cartazes políticos fora do normal. Existem até compilações daqueles que são considerados os cartazes mais divertidos. Há também quem procure os mais diversos erros. Muitos destes casos chegam de zonas mais pequenas. De locais que, em alguns casos, quase ninguém conhece. O que faz com que os erros tenham mais piada mas menor relevo político.

Nunca dou grande atenção aos cartazes de terras mais pequenas. Porque olho para aquelas campanhas como algo feito com tostões e por pessoas que provavelmente pouco percebem de política e de comunicação. Só isso explica que exista tanto desleixo no cartão de visita para as pessoas que podem vir a votar naquele candidato.

Mas o caso muda de figura quando os exemplos chegam de cidades como Lisboa. Onde as campanhas são feitas com “milhões” e onde nada, mesmo nada, pode ser deixado ao acaso. Principalmente quando os maus exemplos chegam de fortes candidatos. Como é o caso de Teresa Leal Coelho, a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.

Tornou-se viral um cartaz da candidata que é um verdadeiro tiro nos pés. “Por uma cidade onde se pode circular” é o slogan do cartaz. Talvez para os mais distraídos não exista nada de errado nesta mensagem. Mas isto é publicidade (e da boa) ao actual presidente. Se é por uma cidade onde se pode circular, é porque tudo está bem. Já seria diferente se o pode desse lugar a um “possa”.

As pessoas acabam a rir-se dos exemplos que chegam de terras pequenas. Mas os erros mais graves são estes. Porque alguém recebeu muito dinheiro para fazer aquele cartaz. E alguém recebeu muito dinheiro para o aprovar. Tal como alguém recebeu muito dinheiro para gerir a campanha eleitora. E todos falharam. Sendo que a falha é ainda mais grave quando elogia o principal opositor.

os portugueses não gostam de ganhar dinheiro

Durante a estadia em Lagos frequentei três restaurantes. Em dois deles fiquei com a sensação de que poderiam ganhar muito mais dinheiro do que aquele que ganham (e que não deve ser pouco). E para isso era necessário apenas um pequeno detalhe: organização. Às vezes fico com a sensação de que os portugueses (e isto não acontece apenas no Algarve) ficam satisfeitos com pouco. Se ganham x não se preocupam em ganhar y. Mesmo que a distância entre estas duas letras esteja concentrada apenas na palavra organização.

Num dos restaurantes o peixe era fantástico. Devo ter estado perto de uma hora na fila para arranjar mesa. Durante este tempo vi mesas que não eram levantadas, empregados desorganizados porque todos vinham buscar pessoas para sentar, clientes insatisfeitos porque alguém lhes passava à frente e outros detalhes do género. Tudo detalhes que eram facilmente resolvidos. Bastava ter uma pessoa que tinha como missão gerir as mesas. E outras duas que tinham como missão levantar mesas.

Numa primeira análise podem parecer três ordenados que são um luxo porque os outros empregados podem fazer estas coisas. Mas são funções que fazem a diferença. E o aumento de lucro devido a esta organização paga muito mais do que estes três ordenados. Não faz sentido ter pessoas vinte minutos à espera de mesa quando as mesas estão vazias. Não faz sentido ter diversos empregados a sentar as pessoas quando nem têm noção dos lugares que estão por ocupar.

Neste caso específico o restaurante era mesmo muito bom. O peixe estava divinal. O atendimento foi simpático. Mas fica a sensação de que aquela máquina de fazer dinheiro poderia fazer muito mais com a alteração de apenas dois ou três detalhes. E quando me deparo com casos destes fico sempre com a sensação de que as pessoas estão tão preocupadas em ter o negócio a funcionar que nem perdem algum tempo a pensar na forma de fazer ainda mais dinheiro, deixando os clientes ainda mais satisfeitos.

19.7.17

hoje é o dia delas

Hoje é um dia histórico para o desporto português, no que às mulheres diz respeito. Pela primeira vez temos a principal selecção nacional de futebol presente num Europeu. E foi com grande alegria que ouvi um jornal de desporto, na Antena 1, abrir com este tema. Que teve maior destaque do que os temas habituais.

A missão não será fácil. Mas no ano passado também não era. E todos sabem o final feliz de que todos nos lembramos. Às cinco vou estar com os ouvidos colados ao rádio. Ou com os olhos colados à televisão. Força raparigas! Somos milhões a puxar por vocês.

17.7.17

qual é a lógica disto?

Qual a lógica de ter um sistema de comunicações de emergência que nunca funciona em casos de emergência? Mais quantas coisas vão ter de correr mal para que seja encontrada uma solução para este problema que deveria ser a solução para tantas pessoas?

28.6.17

apenas nojento. nada mais do que isso

A tragédia de Pedrógão Grande é uma das maiores de que temos memória num passado recente. Muitas pessoas perderam a vida. Outros sobreviveram, mas ficaram sem nada. Inventaram-se teorias. Trocaram-se acusações. Algo que considero errado. Apesar de entender que existem momentos para discutir tudo aquilo que está errado e que pode ajudar a reduzir um impacto de um incêndio como aquele.

E se considero errado que se atirem acusações para o ar, fico revoltado com o aproveitamento da dor das pessoas que vivem uma tragédia que irá marcar as suas vidas para sempre. E considero nojento o aproveitamento político que se tenta obter de uma tragédia desta dimensão. Ao estilo de "com o meu partido nada disto acontecia". Isto é do pior que pode ser feito. Independentemente da cor política que siga este rumo.

22.6.17

aquilo que realmente importa sobre pedrógão grande

Até ao momento morreram 64 pessoas. O número de feridos ultrapassou os 200. Este é o último balanço do incêndio de Pedrógão Grande. E neste momento só uma coisa importa sobre o incêndio. Aquilo que realmente importa é descobrir o desgraçado que deu início ao fogo. Mesmo que ele não existe. Temos de arranjar uma pessoa, mesmo sem nome ou rosto, que seja considerado o culpado do início do incêndio.

E como é que fazemos isto? Ao melhor estilo nacional... com suspeitas. E quem vier a seguir que feche a porta. Lança-se a suspeita. Diz-se que a Polícia Judiciária não percebe nada disto. Que não há cá trovoadas secas. E nunca na vida seria possível a natureza ser responsável por um incêndio desta dimensão. Isso é coisa que só acontece no estrangeiro. Naqueles países distantes que nada têm a ver connosco. Quanto a nós... só há uma solução: alguém ateou o fogo. E damos tempo de antena a todas as pessoas que têm algo a dizer sobre esta teoria. Mesmo que não digam nada.

Não sei se foi fogo posto ou não. Nem isso importa neste momento, no sentido que nada disso dará vida aos que morreram. Mas a verdade é que a Polícia Judiciária apresentou a sua teoria, referindo ter encontrado a árvore onde terá tido início o incêndio. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também já apresentou um relatório. E até prova em contrário - e não me refiro a boatos - esta explicação é credível para mim. Que nestes casos não acho minimamente interessante perder tempo com teorias da conspiração que partem do vizinho que conhece alguém que viu alguém que tinha conhecido alguém que não ouviu nenhuma trovoada seca.

Considero muito mais interessante (e importante) dedicar os próximos tempos a tentar perceber o que funcionou mal. Aquilo que não impede um incêndio, mas que minimiza os danos. Falar do SIRESP. Funciona? Não funciona? Porque não funciona? Falar do incumprimento (apesar dos alertas frequentes) relativo à limpeza dos terrenos, na sua maioria particulares. Discutir a falta de condições da maioria dos bombeiros. Tal como as teorias de conspiração, nada disto dá vida aos que morreram. Mas existe uma grande diferença. É que falar disto, discutir isto, analisar e melhorar o que está mal permite que no futuro existam menos vítimas em incêndios.

20.6.17

assim lembram-se deles?

Que esta imagem, partilhada nas redes sociais pelo bombeiro Pedro Brás, fique gravada na memória de todas as pessoas. E que isso faça com que as pessoas se recordem destes heróis durante todo o ano. E não apenas quando acontece uma tragédia. Obrigado por tudo!