3.2.16

honda is the new black

Sou de 1981. E algures ali pela minha adolescência, quando caminhava para a maioridade, começaram a aparecer (ou pelo menos comecei a reparar neles) alguns carros modificados. Era uma vaga crescente do famoso tuning para alguns e xuning para quem detestava carros modificados. Era a saída de escape que fazia barulho. Era a saída de escape dupla, sendo que na maioria uma das saídas era apenas para enfeitar. Era o carro rebaixado. Era a aba não sei do quê. Era o spoiler traseiro. Era o subwoofer. Eram as jantes e os pneus xpto. Resumindo, era o racing no seu melhor.

Dentro deste universo existia um modelo que se destacava. O mítico Honda Civic CX. Era uma espécie de topo de gama do mundo tuning. Entre os rapazes, que ansiavam pelo momento de conduzir um carro, este era o modelo desejado. E muitas das raparigas tinham o desejo, mais ou menos secreto, de ter um namorado que fosse dono de um Honda Civic CX mexido. Até porque a febre das motas já não estava tão vincada como em outros tempos em que ser cool passava por ter uma mota. Naquela altura um dos expoentes da escala que mede a “coolness” era conduzir um Honda Civic CX ou namorar com alguém que tivesse um. E também ter um amigo que fosse dono de um destes modelos.

Os anos foram passando. Eis que chega 2016. Já lá vão os meus dezasseis anos. Ou mesmo os dezanove, altura em que passei a ter carta de condução. Nesta diferença temporal existiram diversos modelos de carros que ocuparam o lugar de expoente máximo do tuning. Mas sem nunca ocupar o lugar do eterno Honda Civic CX, que ainda hoje pode ser visto nas estradas portuguesas. Quase que se pode dizer que o Honda Civic CX is the new black.

Volta e meia lá vem ele, a fazer barulho e a acelerar como se fosse o carro mais vistoso das estradas nacionais. Só não sei se os adolescentes ainda têm o desejo de ser donos de um. Tal como desconheço se as adolescentes ainda mantêm o desejo, mais ou menos secreto, de namorar com um rapaz que conduza o eterno modelo. Mas creio que não. Acredito que hoje as ambições, tanto deles como delas, passam mais pelo luxo, no que aos carros diz respeito.

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