22.2.16

a moda do aposta que sabes

Depois da febre das raspadinhas (que está para durar) existe a moda do “aposta que sabes”, que é como quem diz, a nova tendências das apostas desportivas em que, por exemplo, num dia em que os astros estejam todos alinhados com determinada pessoa, um simples euro pode render qualquer coisa como mais de cinco mil euros. Tal como acontece com as raspadinhas, também o Placard “promete” dinheiro fácil com base no conhecimento que as pessoas têm do desporto.

Neste jogo da Santa Casa é possível apostar em jogos de futebol mas também em partidas de basquetebol e de ténis. Não faço ideia da percentagem de certeza do que vou dizer mas acredito que a esmagadora maioria das pessoas aposte em jogos de futebol. É um desporto com o qual estamos mais familiarizados e modalidade na qual os portugueses são especialistas ou não fossemos todos treinadores de bancada.

Dentro dos apostadores existem dois grupos. O primeiro é o dos ponderados, onde me insiro (nas vezes em que aposto). São aqueles apostadores que perdem tempo a estudar a aposta. Estudam os adversários e os jogadores que estão aptos para o encontro em questão. E ainda o momento das equipas, resultados em confronto directo e tudo e mais alguma coisa. Assim sou eu. E o que faz o apostador ponderado? Simplesmente não acredita em sorte mas em conhecimento do jogo. Por exemplo, o Porto recebe o Arouca para o campeonato e o apostador ponderado é incapaz de apostar no Arouca. Porquê? Porque o Arouca nunca ganhou ao Porto.

Depois existe o apostador lucro. É o apostador que até dispensa o conhecimento desportivo. Simplesmente olha para o quadro das apostas e faz contas ao lucro que pode obter num determinado jogo. Pegando mais uma vez no exemplo do Porto a receber o Arouca, este apostador está a marimbar-se para o facto do Arouca nunca ter vencido o Porto. É o apostador que acredita que esse dia acabará por chegar. De preferência no dia em que tenha apostado. Este apostador não estuda nada. Apenas analisa lucros.

Como referi, faço parte do primeiro grupo de apostadores. Tenho uma dose de lógica associada à aposta. E é complicado desligar-me disso pois coisas aparentemente estapafúrdias significam dizer adeus ao meu dinheiro. Por outro lado tenho um amigo que é aquilo a que chamo o apostador lucro. E este meu amigo apostou no Arouca. Que por acaso venceu o Porto, garantindo-lhe um prémio chorudo. Este meu amigo apostou também numa equipa sul-americana que não vencia um jogo fora, numa determinada competição, desde 1982. Mas venceu no dia em que apostou. E mais um prémio chorudo. E isto já aconteceu mais algumas vezes com derrotas inesperadas de equipas nacionais e de clubes internacionais.

Dou o exemplo deste meu amigo porque não se trata do diz que disse. É uma história que conheço de perto. Esta pessoa não recorre a um multibanco desde que se iniciou nas apostas desportivas e, volto a salientar, é uma pessoa que assume pouco perceber de futebol. E acho que a magia do Placard está nestas histórias. Que são sempre uma minoria. Que vão ser sempre uma minoria. Mas que alimentam o espírito de quem aposta com desejo de conseguir igual sorte. É mais ou menos um fenómeno semelhante ao daquelas papelarias que gostam de exibir cópias de raspadinhas premiadas vendidas no local. Algo que aguça o apetite de quem está a ponderar comprar uma raspadinha.

O único (ou grande) senão de tudo isto é que o aparente desejo de ganhar dinheiro fácil consegue dominar muitas pessoas que gastam mais do que devem/podem em raspadinhas ou apostas. Acreditam que da próxima é que é. Acreditam que a sorte está a chegar. Que está cada vez mais perto. É mais ou menos o mesmo que acontece nos casinos onde o desespero está estampado na caras de tantas pessoas. Nada tenho contra quem joga, até porque também o faço ocasionalmente. Aconselho é moderação a quem o faz. Até porque desconhecer os limites é meio caminho andado para perder tudo em segundos.

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