14.10.20

ninguém está livre da covid-19. e do suicídio?

Ao longo dos últimos meses, e com uma incidência cada vez maior, todos temos ouvido palavras como: "ninguém está livre da covid-19". E concordo totalmente com esta ideia. Não é preciso muito, ou grandes desleixos, para que uma pessoa possa apanhar o vírus que mudou a forma como olhamos para o mundo e como vivemos.

Por outro lado, nunca ouço ninguém dizer que ninguém está livre do suicídio. E se penso desta forma em relação ao coronavírus, também defendo este modo de pensar em relação à decisão de colocar um ponto final na própria vida. E é disto que me recordo sempre, assim que me deparo com a notícia de que alguém optou pelo suicídio. Como aconteceu agora com Tony Lemos, que todos associamos de imediato aos Santamaria.

Se há coisa que me assusta é entrar numa espiral depressiva que acabe com o pior cenário de todos. E acredito que ninguém está livre deste perigo. Que é dos piores de todos. Porque as pessoas tendem a isolar-se e a esconder aquilo por que estão a passar. E tudo vai ficando cada vez pior, a ponto de se acreditar que a única, e melhor, solução passa por colocar um ponto final na vida. Por mais bela que seja e por mais episódios bonitos que estejam a ser escritos.

Por isso, passo por aqui para deixar um apelo a todos. Estejam atentos a todos os que vos rodeiam. Não descurem qualquer sinal de alerta. Não tenham vergonha de perguntar se está tudo bem. Não tenham receio de que a pessoa fique chateada com vocês por insistirem na pergunta. Se é verdade que pode não ser nada, é igualmente verdade que podem estar a salvar alguém. Podem ser os responsáveis por impedir uma triste história que acaba com palavras fofinhas no Instagram a questionar: "como foste capaz de fazer isto" ou "ninguém imaginava".

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