27.10.20

esta coisa do "não és minha, não és de mais ninguém"

 Com uma frequência muito maior do que a desejada, todos nós lidamos com notícias que envolvem crimes passionais. Escrevo este texto depois de saber que um homem matou a ex-companheira, de quem estava separado há uma semana, com tiros de caçadeira. Depois, ter-se-á tentado matar com a mesma arma, mas sem sucesso. O que não deixa de ser curioso...

Na semana passada, foi um homem, emigrante na Suíça e de férias em Portugal com a namorada, que deu mais de dez facadas à namorada em pleno hotel. Tudo por causa de uma crise de ciúmes. Poderia passar mais uns largos minutos a recuperar histórias, mas estas duas, que nunca deveriam ter acontecido, chegam para falar do que me leva a escrever este texto.

E basicamente, nunca percebi o que leva alguém a matar outra pessoa. Tudo por causa de ciúmes. Ou mesmo de uma traição. Acaba-se uma vida e estragam-se mais umas quantas porque alguém não quer continuar numa relação? Porque teve um caso com outra pessoa? Porque se fartou de uma relação tóxica? Se pegar na minha primeira questão, já não vivia ninguém neste planeta. Afinal, quem nunca lidou com um desgosto amoroso?

É uma tristeza que em 2020 ainda existam notícias destas. Que não são exclusivas de Portugal. São, infelizmente, prática comum em muitos países. E, ao contrário do que muitos pensam, também existem homens que são vítimas. Tendemos a olhar para este problema como sendo algo contra as mulheres, mas é uma triste realidade que atinge homens e mulheres. E não importa quem sofre mais com isto: se eles ou elas. O que interessa é que isto acabe. De vez.

A verdade é que lidamos com tantas notícias destas que acredito que isto acaba por assustar ainda mais todas as pessoas que são vítimas de violência doméstica e que fazem parte de relações tóxicas. Olham para estas notícias e acreditam que lhes irá acontecer o mesmo caso tentem acabar a relação. E provavelmente vão passar uma vida, ou mais uns largos anos, num sofrimento silencioso que ninguém merece.

É bom que as pessoas percebam, de uma vez por todas, que não são donos de ninguém. Eles não são donos das mulheres. Elas devem perceber que não são inferiores a eles e que não precisam deles para serem felizes. Se são infelizes, mudem de vida. Ninguém é dono de ninguém. E a violência nunca será solução para nenhuma relação.

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