21.1.22

eu quero (ou quis), mas não consigo confiar em ninguém

Estão a ver aquelas pessoas que dizem que têm muitos amigos? Pois bem, não sou uma delas. É que não me iludo facilmente em relação à amizade. O que faz com que tenha a perfeita noção de que tenho poucos, mas mesmo poucos amigos. Duvido até que necessitasse das duas mãos para os contabilizar. Tal como sei que existem poucas pessoas a quem ligaria numa qualquer necessidade. E muito sinceramente não acho isto estranho. Acho que a amizade é mesmo assim. Forte demais para ser banalizada com ligações que se resumem a uma qualquer rede social.

Falo da amizade para querer chegar a outros pontos. Em que ainda me iludo um pouco. Por exemplo, gosto de acreditar que todas as pessoas são boas. Esta é uma espécie de regra que aplico a quem conheço. Em vez de ficar de pé atrás, gosto de genuinamente acreditar que as pessoas são boas. Sendo que, à primeira curva, lá vem a desilusão em boa parte dos casos. Ainda assim, saliento que acreditar na bondade das pessoas não significa que olhe para as mesmas como uma potencial amizade. Isso tenho a noção de que será complicado de ocorrer.

Da bondade salto para a confiança. Porque sou daquelas pessoas que gostam de confiar nas outras. Não ao ponto de partilhar grandes segredos ou o que quer que seja, mas ao ponto de acreditar que posso confiar na pessoa. Ao contrário da bondade, já não acredito que posso confiar em todas as pessoas. Ainda assim, acho que existem pessoas em quem posso confiar. Mas a vida tem provado que não é bem assim. Sempre que tenho pensado isto tenho sido desiludido.

O que faz com que regresse ao início do texto. Se é verdade que tenho poucos amigos é igualmente verdade que confio num grupo bastante reduzido de pessoas. Mas, e para acabar, volto a achar que isto é tudo normal. É o normal funcionamento da vida e das relações de amizade e confiança. As pessoas é que se iludem e tendem a confundir conceitos.

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