27.4.21

lana rhoades e como a pornografia levou a antiga actriz à depressão e pensamentos suicidas

Tem apenas 24 anos e trabalhou na indústria dos filmes para adultos durante somente oito meses. Tempo mais do que suficiente para que Lana Rhoades defenda que vive com aquilo a que chama de sentença de prisão perpétua. Foi no podcast 3 Girls 1 Kitchen que a antiga estrela porno assumiu que luta contra a depressão e pensamentos suicidas desde que decidiu colocar um ponto final na carreira de actriz pornográfica.  

  

Lana Rhoades chegou mesmo a chorar ao recordar cenas humilhantes que gravou e que foi também a pressão para gravar conteúdos mais extremos que contribuíram para que decidisse mudar de vida. Refere ainda que o motivo de abordar esta temática é o de ajudar mulheres que ponderem ser estrelas porno ou levar actrizes a abandonar a indústria dos filmes para adultos. 

 

“Quando entrei no porno não sabia que teria que fazer sexo” 

 

Nascida Amara Maple, a jovem norte-americana sonhava trabalhar na pornografia desde os 12 anos. “Queria fugir da situação que tinha em casa”, desabafa. “Mas o perigo da indústria do sexo ser glamourizada é que as meninas como eu vão ver os aspetos positivos e não os negativos”, refere. “Isto vai mostrar o quão ingénua era, mas quando entrei no porno não sabia que teria que fazer sexo. Realmente não pensei sobre os actos que teria que fazer para ser uma estrela porno”, conta. 

 

Lana Rhoades revela ainda que dizia aos agentes que só pretendia gravar cenas com outras mulheres. Tendo sido informada que ou gravava com homens ou não assinaria contrato. “Eles não se importam com as meninas, só se preocupam em agradar aos produtores e às agências de cinema”, critica. “Eles sabem como manipular e distorcer as coisas na mente de jovens de 18 a 20 anos para levá-las a fazer certas coisas”, acusa. 

 

“Eles sabem como manipular e distorcer as coisas na mente de jovens de 18 a 20 anos para levá-las a fazer certas coisas” 

 

A antiga actriz diz também que nunca foi forçada a actuar contra a sua vontade. Ainda que sinta que estava numa posição em que dizer “não” era algo que não seria possível. “Tecnicamente, nunca disse que não. Por ser jovem, senti que queria agradar a todos e fazer o meu agente feliz”, conta. “Disseram-me que seria muito boa. Queria deixar os produtores felizes. Queria fazer os fãs felizes. Podia estar a morrer por dentro a fazer alguma coisa, mas tinha um sorriso no rosto e dizia ‘obrigado pelo trabalho a todos’”, recorda.  

 

Esta atitude levou a que fossem feitos pedidos mais extremos, algo que levou a que Lana Rhoades ficasse com medo de ir às gravações. “Tive amigos que sufocaram tanto que desmaiaram durante uma cena. Há coisas realmente malucas a acontecer que danificam o corpo das pessoas para o resto da vida. Felizmente, não tenho problemas”, revela. Ainda que não tenha ficado com marcas físicas, a antiga actriz procurou ajuda para superar as experiências que a marcaram psicologicamente.  

 

“Onde quer que vá, todos me veem a ser f*****” 

 

“Não estou a dizer que todas as cenas que fiz foram horríveis. Houve 3-5 que foram realmente traumáticas para mim. Seja ser enviada para um set com alguém que era muito velho ou ser pressionada a fazer algo que tinha medo de fazer porque era muito extremo. Diria que essa é a razão pela qual deixei a indústria”, diz. 

 

Influencer de sucesso 

 

Agora, Lana Rhoades é uma influencer de sucesso. Tem duas casas, três carros de luxo, um império de negócios e cobra mais de 25 mil euros por cada publicação no Instagram. Contudo, sente que será sempre vista como uma estrela porno. “Não posso esconder isso. Onde quer que vá, todos me veem a ser f***** e simplesmente tenho que fazer o melhor que posso com isso”, refere. “Sinto que tenho uma sentença de prisão perpétua na minha cabeça com apenas 24 anos. Lido com depressão e pensamentos suicidas todos os meses devido ao meu passado no porno. Espero que a minha experiência e o meu sofrimento ajudem outras pessoas. Quer seja a ajudar pessoas a tomarem decisões melhor do que as que tomei ou a ajudar pessoas que estão no meio disto a saírem da indústria”, conclui. 






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