21.9.20

quando ser pai é visto como uma coisa menor

Levo quase três meses enquanto pai. Pouco, muito pouco para ser um especialista na matéria. E para ser sincero, nem sei se o virei a ser. Mas estes dias – de longe os melhores da minha vida - são suficientes para que olhe para isto de ser pai como uma coisa menor. Não da minha perspectiva, mas olhando para a paternidade de um plano geral.

É inegável que existe uma forte ligação entre mães e filhos. Ninguém pode negar isto nem quero criticar o papel de destaque que é dado à mãe. Reforço que estou a favor daquilo a que a mãe tem direito, acreditando até que a situação poderia ser ainda melhor. Mas isto não pode significar que o pai seja relegado para segundo plano. Como se fosse uma espécie de acessório nesta aventura a dois. E que está lá para os momentos em que a mãe eventualmente necessite de ajuda. Num destes dias cruzei-me com um amigo que foi pai pela segunda vez ao mesmo tempo do que eu. Com uma pequena diferença que passa pelo país em que vivemos. É que ele está na Noruega e foi então que me disse que a licença de paternidade é de quatro meses. E que esta é obrigatória. Se não for cumprida, existe o sério risco de perder todos os benefícios a que têm direito. Foi então que olhei para olhei para o meu cenário.

Do ponto de vista do que é obrigatório, os pais – em Portugal - têm direito a poucos dias. A partir daí existem mais alguns (não muitos) que são facultativos, chegando aos 25 dias. A partir daqui, é necessário “roubar” à mãe para que o pai possa ter algo mais. E é isto que critico. Em primeiro lugar, é dado o destaque à mãe, relegando o pai para segundo lugar. Depois, para o pai assumir algum destaque, é obrigado a empurrar a mãe para a sombra. Quando pai e mãe deveriam ter o direito de estar mais tempo juntos da criança.

Até porque qualquer pessoa que tenha tido um filho sabe bem da importância que é ter os pais juntos numa fase inicial da vida da criança. As tarefas são desgastantes para uma pessoa só. Se a isto acrescentarmos eventuais noites mal dormidas, é algo que pode levar uma mãe à exaustão física. Ou talvez algo mais. E aqui estou a mencionar a mãe porque o pai provavelmente já foi obrigado a regressar ao trabalho. E a cumprir horários que o vão manter afastado da família. Neste caso sou um sortudo. Consegui estar um pouco mais de dois meses junto da minha filha. Para isto gozei a licença, que consegui juntar com férias e folgas acumuladas. Tenho também a vantagem de estar a trabalhar a partir de casa. Ainda que não consiga dedicar a atenção que a minha mulher e filha merecem.

Quem me conhece, sabe que não estou sempre a criticar o que quer que seja. Não sou daqueles que dizem que Portugal é uma vergonha. Que nos outros países é que se vive bem e mais não sei o quê. E não quero de todo passar essa imagem. Aquilo que gostava mesmo era que uma coisa tão importante como ter um filho fosse visto com outros olhos. Até porque muitas vezes se apela a que nasçam mais crianças.

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