27.4.20

no meio desta pandemia, como é que ficam os abraços?

No meu caso, já lá vão 45 dias desde que estou fechado em casa. Sendo que agora, e ao que parece, iremos voltar à normalidade. Se bem que esta normalidade não será, em nada, parecida aquela que todos conhecíamos antes de sermos convidados a estar fechados em casa. Não sei como será o futuro a breve prazo, mas temo que esta nova realidade – seja ela qual for - irá estar connosco durante muito, mas mesmo muito tempo.

Ao longo dos tempos tenho dado por mim a pensar naquilo que o futuro nos reserva. E tenho muito receio do que aí vem. Voltar para a rua, e para aquilo que fazíamos com regularidade, significa conviver com o coronavírus. E isto assusta-me porque tivemos um número muito reduzido de infectados. De acordo com os especialistas, é algo que poderá ter um peso muito grande na (expectável) segunda vaga da doença. Ou ainda desta, pois não se foi embora.

Além disso, tenho dado por mim a pensar nos abraços e nos afectos. E assumo desde já o meu carinho especial por tudo o que envolve um abraço. Se isto fosse por equipas, seria da dos abraços em vez da dos beijos. E quando penso nisto, destaca-se uma pergunta: como é que ficam os abraços? Teremos coragem de abraçar aqueles que sempre fizeram parte das nossas vidas? Ou existirá o receio de contrair ou transmitir uma doença que poderá ter consequências graves para aqueles que amamos.

Tenho a ideia de que o futuro nos reserva um mundo mais frio. Rostos fechados e cobertos por máscaras. O receio de um aperto de mão, beijo ou abraço daqueles em quem tocávamos quase todos os dias sem qualquer hesitação. Aliás, poucos deveriam ser aqueles que se davam ao trabalho de questionar a higiene de alguém quando ia à casa-de-banho. “Será que lavou as mãos?”, era uma questão que fazia parte do quotidiano de poucos. Acredito também que muitas pessoas vão evitar saídas com grupos de amigos. Irão arranjar mil desculpas só para não dizer a realidade. Que o medo está associado à doença que nos mudou a todos.

À parte disto, tenho dedicado muito tempo à economia e ao mercado de trabalho dos portugueses. É certo que ainda vivemos com (muito) medo do coronavírus. Mas o regresso à tal normalidade traz consigo outros receios. Bem como novas realidades. Prevejo um caos geral. Muitos no desemprego. Muitas empresas a não ter outra opção que não seja fechar portas. Até porque a reabertura será com lucros muito mais baixos. Haverá também quem se aproveite desta situação para despedir pessoas sem necessitar de o fazer. E poderia passar o dia a escrever sobre receios que tenho.

Resumindo, desejo o melhor. Ao mesmo tempo que espero (numa tentativa de me preparar da melhor forma) o pior. Resta aguardar para perceber o que irá acontecer. Espero que o futuro seja muito mais colorido do que aquele que está a ser pintado pelos meus pensamentos.

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