10.3.20

riley reid e o outro lado da pornografia, o da humilhação diária

Se mostrar um vídeo pornográfico de Riley Reid a alguém, duvido que alguém me diga coisas como “santa” e por aí fora. Mas provavelmente irei ouvir coisas como “bela p***”, “porca” e por aí fora. Sendo que não conheço a actriz norte-americana, de 28 anos, de lado nenhum. Tal como as pessoas que eventualmente teriam tais reacções. Fossem elas boas ou más.

Assumo que nunca me tentei colocar na pele de uma actriz pornográfica. Tal como não me coloco na pele de muitas outras pessoas mediáticas. Mas se falo sobre Riley Reid (que é só uma das actrizes mais famosas do mundo e aquela mais pesquisada no Pornhub, o maior agregador de filmes para adultos) é porque foi a actriz quem deu a conhecer o outro lado da profissão que escolheu. E com a qual, ao longo de quase 10 anos de carreira, tem ganho muito dinheiro. E nesta lado, mais feio, existe muita humilhação. E outras coisas em que poucos devem pensar. Ao ponto de nem sequer querer ter filhos.

“Muitas vezes, quando as pessoas me perguntam se devem fazer porno, digo que não. A vida fica muito complicada, os relacionamentos ficam complicados, a vida familiar também, tal como a intimidade”, começa por contar num vídeo partilhado no YouTube. “O mundo começa a julgar-te”, prossegue. “Tens de lidar bem com o facto de ires ser humilhada diariamente o resto da tua vida”, conta. “Nem sequer quero ter filhos por fazer pornografia”, desabafa. “Fico preocupada com a forma como as pessoas irão tratar os meus filhos”, argumenta.

Depois de ler isto, deparei-me com a legenda que Riley Reid colocou numa foto ousada partilhada no Instagram. Que também dá que pensar. “A olhar para estas imagens não imaginas que choro na maior parte dos dias. Não imaginas que não falo com os meus pais ou que o meu melhor amigo já não é o meu melhor amigo. Ou que a pessoa que amo não me ama de volta. A olhar para estas imagens não imaginas a quantidade de coisas com que luto na minha vida pessoa. Assim, aqui estou eu a fingir que está tudo bem.”

É certo que podemos reagir com algo como “é a profissão que escolheu” e que “ganha muito dinheiro a fazer o que faz”. Não coloco nada disto em causa. Bem como outras opiniões. Aquilo que dá que pensar é o facto de ser humilhada apenas porque escolheu como profissão a pornografia. Isso é que é triste.






Sem comentários:

Publicar um comentário