24.3.20

felipe melo a forma como o futebol o salvou de morrer em criança

Para quem não acompanha o futebol, o Felipe Melo é aquele defesa central durão. Se procurarem vídeos no YouTube de jogadas duras, é muito provável que encontrem alguma deste defesa brasileiro, de 36 anos. Se quiserem pesquisar pelo seu nome, descobrem do que falo. O que faz com que não seja muito comum encontrar o jogador a falar sobre o seu lado mais pessoal.

No momento em que a carreira caminha para o final, Felipe Melo segue como capitão do Palmeiras. Antes, já tinha representado Flamengo, Cruzeiro, Fiorentina, Juventus, Galasataray e Inter, apenas para dar alguns exemplos. Para a história ficam muitos troféus conquistados e, lá está, a fama de duro. Agora, em conversa com o jornal argentino Diario Clarín, o jogador revelou a forma como o futebol foi a salvação da sua vida.

"Nasci e cresci na pior favela do Rio de Janeiro. A minha mãe estava sempre em casa connosco [Felipe Melo tinha três irmãos] e o meu pai trabalhava o dia todo. Desde pequeno sonhava em jogar futebol e, se não fosse o futebol, não sei o que teria acontecido à minha vida", começa por dizer. "Uma vez, quando voltei de um treino, descobri que um dos meus amigos tinha sido baleado. 95% dos meus amigos da favela estão mortos, pois ficaram e escolheram outro caminho. Os outros 5% conseguiram sair, trabalhar e ganhar a vida", prossegue.




E os desabafos não se ficam por aqui. "Vi coisas incríveis na favela que prefiro nem falar. Nunca quis envolver-me com drogas ou armas, preferi trabalhar e não ganhar dinheiro fácil. Uma vez um dos traficantes de droga disse-me: ‘tu tens um futuro, não te quero ver mais aqui. Se te voltar a ver dou-te um tiro na cabeça’", relembra Felipe Melo.

A entrevista abordou ainda temas do futebol. Com Felipe Melo a explicar como é que a selecção brasileira fazia para travar o argentino Lionel Messi. "Quando jogávamos contra ele dizíamos ‘temos que dar-lhe pancadas um de cada vez, temos de ir rodando’. Caso contrário é difícil. Não há forma de marcar um jogador assim. Não digo dar-lhe pancadas para lesioná-lo, mas sim fazer faltas tácticas, cortar o ritmo e incomodá-lo", diz.

Felipe Melo não tem mesmo problemas em dizer que, para si, Messi é o melhor jogador de todos os tempos. "Não posso falar sobre Pelé porque não o vi jogar e de Maradona recordo-me do Mundial de 1990 quando a Argentina ganhou ao Brasil com o golo do Caniggia. No Brasil também dizem que o Zico é o melhor de todos, mas só o vi jogar na sua despedida, no Maracanã. Eu vi jogar o Messi e é incrível, mais do que o Cristiano Ronaldo. O Cristiano pode fazer 5 golos mas o Messi faz esses 5 golos e ainda é capaz de dar golos aos colegas, por isso é mais completo”, conclui.

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