19.3.18

feliz dia do (meu) pai

Tenho várias memórias do meu pai. Presentes e passadas ao longo dos meus 36 anos. Recordo-me de muitos dias em que praticamente não o via. Quando acordava já tinha saído para trabalhar. Quando me ia deitar ainda não tinha chegado do trabalho. Sentia apenas os seus beijos o que acabava por me confortar a alma. Nunca senti a sua ausência física porque sempre foi um pai muito presente. E com ele (bem como com a minha mãe) aprendi que devo dar sempre tudo de mim num trabalho. Seja ele qual for.

Relembro também aquela memória clássica que um filho tem do pai. E refiro-me ao momento em que aprendi a andar de bicicleta. Recordo as duas rodinhas, uma e o instante em que a mão deixa o selim, deixando a bicicleta sem rodinhas totalmente entregue aquilo que me vinha a ensinar. Recordo-me também de muitas noites que tive de passar no hospital e na santa paciência que tinha(m) para mim num cenário pouco simpático. E a esta memória posso juntar muitas outras.

Como o apoio constante dado enquanto fui jogador de futebol. Fosse em casa ou fora, os meus pais eram presença assídua nos campos onde joguei. E não me sentia bem enquanto não os encontrasse do lado de fora do campo. Quando jogava em casa sabia onde os procurar. Quando o jogo era fora, só me sentia preparado para jogar quando os encontrava. E talvez nunca tenham sabido a importância que isso tinha para mim. Tal como ainda tem em tudo aquilo que faço, sempre na esperança de estar à altura daquilo que vejo no meu pai e também na minha mãe.

Em relação ao futebol, guardo ainda outra memória que nunca esquecerei. Jogava no Paio Pires Futebol Clube quando tive o privilégio (e responsabilidade) de ser escolhido para marcar uma grande penalidade. Devia ter os meus doze anos e era o primeiro ano em que jogava futebol federado. Não me recordo do adversário nem do resultado final. Sei apenas que fui escolhido. Sei também que escolhi o meu lado esquerdo para bater o lance. Algo que o guarda-redes adivinhou, acabando por defender a bola. No final do jogo estava triste, algo que o meu pai facilmente percebeu. Perguntou-me o que tinha e respondi que estava triste por ter falhado a grande penalidade. "Não falhaste. O guarda-redes é que defendeu", disse-me. Na realidade é a mesma coisa. Mas aquilo soube-me tão bem como se tivesse marcado um golo.

E com aquilo que contei nos últimos três parágrafos aprendi a forma de encarar a vida, a forma como me devo comportar e a importância que a família tem nas nossas vidas. Dizer que tenho o melhor pai do mundo não é um cliché. É uma realidade facilmente comprovada por aqueles que conhecem o Anhuca a quem tenho o orgulho de chamar pai. Se um dia for metade do que é, já terei feito muita coisa bem. Quero desejar um Feliz Dia do Pai a todos os pais e peço desculpa pelo egoísmo de destacar o meu, o melhor de TODOS. Amo-te Muito PAI!

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