22.12.16

o pior de estar muitos anos na mesma empresa

Passei a contar, na redacção onde trabalho, com a companhia de uma pessoa que está na empresa há muito tempo mas que trabalhava noutra redacção. Pessoa com quem me cruzava nos corredores e que cumprimentava sem espaço para grandes conversas por não existir essa confiança de parte a parte. Agora somos uma espécie de almas gémeas. O tipo de piadas, as coisas que fazemos, os emails que trocamos e muito mais.

Já tive a oportunidade de lhe agradecer o bem que me faz. Na altura disse-me que aquilo que mais lhe custa na empresa é ficar próximo de pessoas que depois vão saindo, algo cada vez mais frequente nesta área e nesta altura. Disse-me que lhe custava ver as pessoas partir. Ele tem quase o dobro de tempo que tenho de empresa mas quando faço contas percebo que já levo dez anos “disto”.

Por um lado é bom. Não nego que um jornalista da minha geração conseguir emprego durante tanto tempo é algo de destaque. Não é fácil. Não tem sido fácil. Mas quando olho para a realidade geral percebo que tenho sorte. A sorte de fazer aquilo de que gosto. Por outro lado, já me fartei de dizer adeus a tantas pessoas. De perder a companhia de pessoas que me eram muito próximas. De assistir a uma dança de cadeiras que faz com que eu, com apenas 35 anos, seja o jornalista com mais tempo nesta redacção.

Parece que ainda ontem era o puto novo numa redacção lotada. Agora sou a peça de mobília mais antiga num espaço muito mais “amplo” do que aquilo que foi. É a lei da vida. Mas é chato. Existem dias em que custa dizer adeus a determinadas pessoas. De olhar para a expressão facial de quem se vai embora. Mas esta é cada vez mais a realidade dos mercados de trabalho. A dança das cadeiras é cada vez mais frequente.

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