16.12.16

isto dos mariconços

Faço parte de uma geração para a qual o termo “mariconço” não representava qualquer problema. Ninguém olhava para este termo como ofensivo ou como uma lança apontada à integridade dos homossexuais. Até porque não era. Era apenas uma maneira de brincar com alguém que tanto podia ter medo de fazer algo básico aos olhos dos outros como podia, em determinado momento, ter um tique mais efeminados. E o assunto morria aí. Sem qualquer confusão.

Este termo foi utilizado pelos Gato Fedorento num sketch bastante famoso. E foi recordado recentemente por Ricardo Araújo Pereira que defende que seria impossível de voltar a fazer hoje. O humorista baseia-se num “ambiente cultural” que faz com que a utilização da palavra “mariconço” ganhe uma dimensão fora do comum e manifestamente exagerada.

Há quem critique Ricardo Araújo Pereira por ter manifestado esta opinião. Mas creio que a sua opinião é bastante acertada. Os tempos são outros. E hoje tudo ganha uma dimensão maior do que aquela que determinada pessoa pretende utilizar. E as redes sociais estão cheias de exemplos destes. Aliás, muita da culpa do tal “ambiente cultural” vive nas vastas redes sociais. Onde tudo ganha uma dimensão enorme.

E existem determinados temas que simplesmente deixaram de ter espaço de manobra para um apontamento de humor sem qualquer maldade. Enquanto muitos outros, que deveriam ter limites mais reduzidos, gozam de uma total liberdade de gozo à qual ninguém liga nenhuma. Com a qual ninguém se importa. E que consegue alimentar um vasto número de pessoas para quem vale tudo. Menos dizer mariconço num sketch.

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