25.10.16

(in)definição que mata

Poucas coisas conseguem roubar mais anos de vida a uma pessoa do que a indefinição. Poucas coisas conseguem ser mais desgastantes para uma pessoa do que a indefinição. Especialmente quanto a indefinição está associada a uma definição que apenas ainda não é conhecida como seria suposto e expectável.

É mais ou menos como estarem quatro pessoas juntas. Três com relacionamentos estáveis. E a outra pessoa dizer: “Daqui a um mês um de vocês irá ficar solteiro. Eu sei quem é mas não vou digo. Têm de esperar pelo dia em que tudo acaba”. A definição de uma pessoa é a indefinição de outras três. Que vão passar um mês a pensar coisas como: “serei eu?”, “o que fiz de errado?” ou “o que me vão fazer?”, além de tentar encontrar mil motivos para a relação poder acabar.

Ao longo deste mês os amigos destas três pessoas vão dizer coisa como “não penses nisso”, “não te preocupes” ou “tu não és de certeza”. Mas na realidade nenhuma daquelas três pessoas consegue abstrair-se da ideia de uma realidade poder (ou não) mudar na sua vida. É certo que irá dizer coisas como “não penso nisso” ou “se for eu logo vejo” mas na verdade deita-se a pensar no assunto. Acorda a pensar no assunto. E acaba, sempre que a mente está desocupada, a pensar no tema.

Agora é pegar neste exemplo hipotético e associar o mesmo a uma realidade. Pois existem casos destes que não são meras hipóteses. São uma realidade bem definida para alguns e indefinida para muitos outros. É a tal indefinição que mata. Que rouba anos de vida. Que cansa a mente. Que cansa o corpo. Que dá dores de cabeça. E que impede que exista tranquilidade.

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