13.9.16

o radicalismo português

Em tempos entrevistei um treinador português que me dizia que os adeptos do clube que treinava iam facilmente do 8 ao 800 sem passar por mais nenhum número. A distância entre um número e outro era percorrida a uma velocidade alucinante sem que existisse tempo para pausas em qualquer um dos outros números. Essa realidade era impossível. Na realidade olho para os portugueses, de um modo geral e não apenas os adeptos daquele clube, como pessoas que saltitam entre estes dois números muito rapidamente.

E pego no recente caso dos Comandos para ilustrar este modo de pensar. Aconteceu o que aconteceu. Sem que se saiba muito bem o motivo que levou ao trágico desfecho. E rapidamente as pessoas passam a odiar os Comandos. Querem imediatamente a extinção dos mesmos. Porque não fazem falta ao País, por isto e por aquilo. Não importa perceber o que aconteceu. Importa sim acabar com aquela "raça" antes que volte a acontecer. E isto é saltar do 8 ao 800 sem passar por mais nenhuma casa. É uma viagem alucinante.

E os portugueses são assim quase com tudo. Recordo-me da altura dos acidentes com balizas de futebol. Existiam crianças que sofriam acidentes porque se penduravam nas mesmas. Mas ninguém queria saber disso. A culpa era das balizas. E era preciso acabar com as mesmas e com os campos. E o povo português é assim em quase todas as realidades. Não existe tempo para uma análise detalhada e isolada. Passa a ser tudo igual. Passa a estar tudo no mesmo saco. E coloca-se um ponto final na situação.

Existem várias situações que podem levar a uma tragédia. E falo na generalidade dos casos e não num específico. Pode ser a culpa de alguém. Pode ser a culpa da própria pessoa. Pode ser outro motivo qualquer. E perceber isto passa por analisar o que aconteceu em cada situação. Passa por isolar a parte em vez de aceitar a mesma, sem hesitação, como sendo o todo. Isto porque nem todos os Comandos são aquilo que querem fazer deles. Tal como nem todos os miúdos se penduram em balizas. Assusta-me esta radicalização em relação a tudo o que acontece.

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