17.3.16

a grandeza de alguém vê-se nestes momentos

Pouco posso dizer sobre o talento de Nicolau Breyner. Posso referir que cresci a vê-lo na televisão. Posso dizer também que a minha profissão levou a que estivéssemos à conversa e que tivesse ficado com a certeza de que estava perante um verdadeiro Senhor. De resto, tudo aquilo que possa escrever será sempre injusto perante a carreira e grandeza de um homem cuja história de vida se mistura com a história da televisão/ficção em Portugal.

Vivemos num País em que é normal elogiar aqueles que partem. Sobretudo nas redes sociais. Todas as pessoas tecem os mais rasgados elogios e todas as pessoas partilham histórias que viveram com quem partiu. Em alguns casos histórias que mudaram a vida dessas pessoas. E hipocrisias à parte, muitas pessoas fazem isto porque fica bem. Por exemplo, recentemente um actor faleceu. No momento da sua morte perdi conta às figuras públicas que se desdobraram em elogios nas redes sociais. Muitos diziam não existir um homem assim. Mas no velório e no funeral estiveram "meia dúzia" de pessoas. E isto é recorrente e triste.

Com Nicolau Breyner tudo foi diferente. A sua grandeza fica evidente na quantidade de pessoas, dos mais diferentes quadrantes da sociedade portuguesa, que elogiaram sobretudo o homem que era. Não me refiro a homenagens que apenas ficam bem no momento da morte. Refiro-me aos elogios que vão muito além de palavras vazias de sentimentos que muitas pessoas debitam nas redes sociais. E acho que a grandeza de uma pessoa fica evidente nestes pequenos momentos. "O meu avô sempre disse que não levávamos nada para a outra vida. Os caixões não têm gavetas. Fica cá tudo. Connosco vão só os afectos", disse, em tempos, Nicolau Breyner. E o homem que era faz com que tenha tido uma homenagem digna e que tenha partido com muitos afectos.

PS – Quando mencionei a morte de outro actor não pretendi dizer que não tinha a grandeza de Nicolau Breyner até porque, não o conhecendo, sempre ouvi falar muito bem dele. A diferença é que no seu caso infelizmente as homenagens não passaram de um gesto vazio de sentimentos que fica muito bem num mural de uma qualquer página de Facebook. No caso de Nicolau Breyner, mais do que homenagens pouco sinceras existiu uma despedida que faz justiça aquilo que deu à televisão e aos portugueses e que nunca poderá ser pago.

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