25.1.16

a ordem natural das coisas não envolve gays nem mulheres que abortam

O veto de Aníbal Cavaco Silva à alteração da lei do aborto e à adopção por casais gay trouxe novamente para a praça pública a discussão em torno de dois assuntos tão sensíveis. E apesar de estarmos em 2016 continua a existir muita gente que se mostra contra as alterações à lei do aborto e sobretudo à adopção por parte de casais gay porque isso vai contra a “ordem natural das coisas”, defendem.

Cada vez que ouço “ordem natural” fico a pensar no que é isso? Acredito que algumas pessoas queiram referir-se a filho que têm um pai e uma mãe. Mas será isto a tal “ordem natural” da vida? Mesmo supondo que a mãe é alcoólica e que o pai bate na mulher e no filho? Esta suposta “ordem natural” vai garantir uma maior felicidade à criança do que caso seja criada por um casal gay que resgata a criança de condições destas dando-lhe amor e uma melhor preparação para a vida.

E será que aquela “ordem natural” da mãe alcoólica e do pai violento impedem que o filho seja gay? Tal como será que uma educação dada por pais gays obriga a que o filho também o seja? Por outro lado, se queremos viver segundo a “ordem natural” das coisas não deveremos regressar aos tempos da cavernas de modo a viver como aqueles homens e mulheres viviam. É que foram os primeiros. E sendo assim, temos de respeitar a sua “ordem natural”. Ou será que vemos algumas coisas como evolução e uma igualmente natural alteração à tal “ordem natural” enquanto outras nunca podem ter acesso a uma espécie de clube privado avesso a determinadas mudanças?

Nos dias que correm existem cada vez mais crianças que são filhos de pais separados. É certo que continuam a ter um pai e uma mãe (ou não), mas também vivem fora da “ordem natural” das coisas, nem que seja do casamento que deveria ser até que a morte separe os pais. E isto já é uma grande mudança em relação aos meus tempos de escola em que poucas crianças eram filhos de pais separados. Isto para dizer que aquilo para que muitos olham como “ordem natural” do que quer que seja acaba por mudar com os tempos. E as pessoas têm de se adaptar às mudanças que vão tendo lugar ao longo dos tempos. É uma questão de mentalidades.

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